Reflexão Sobre o Deslocamento - Parte 1

A situação no deslocamento da cidade do Rio de Janeiro está em discussão nesse semestre. No começo do ano foi anunciado uma mudança no itinerário dos ônibus a fim de reduzir o trânsito na Zona Sul da cidade (zona onde ficam os bairros de Copacabana, Leblon, Ipanema e outros). A solução aprovada foi corte de linhas e encurtamentos de trajetos de outras. Também foi em setembro que o Metro começou a fazer propaganda sobre as vantagens do seu uso. O VLT, que seria uma ótima solução, não vai alcançar boa parte da cidade e muito menos chegar a Zona Sul, além de causar um caos no trânsito carioca durante as suas obras.

Então vamos ver a solução apresentada: para melhorar o trânsito vamos reduzir o transporte público e consequentemente incentivar as pessoas a usarem os seus carros particulares. Também vamos dificultar a chegada dos trabalhadores a essa zona. Também vamos dizer que tem soluções alternativas como metro e VLT, os mesmos não cobrem todas as áreas da cidade.

No que isso significa? Bem, agora para alguém ir para a Zona Sul terá que fazer *mais uma* baldeação.Porque as pessoas se deslocam pra essa área? Para trabalhar e ter lazer. Mas o transporte nunca foi voltado ao uso popular.

A ideia de grande deslocamentos só começou com o invento da locomotiva a vapor. E a mesma só passou a ser usada pelo o "povão" quando deixou de ser novidade. No começo os vagões tinham luxuosos restaurantes, eram frequentados pelos mais renomados artistas e pelas pessoas mais ricas da sociedade e só era usado para deslocar de cidade em cidade. Quando o trem chegou ao Brasil já era para ser transporte de carga, pois o carro particular já estava começando a ser usual na Europa. Por isso não temos ferrovias que ligam cidades, pois o trem servia para transportar cargas e não pessoas. Logo depois chegou o carro particular, que era muito mais rentável para o governo do que o trem. Talvez seja por isso que até hoje é mais rentável investir no transporte particular.

Com o crescimento urbanístico sem planejamento o trem passou a ser uma solução para o trabalhador chegar ao seu ponto. Mas, aqui no Rio de Janeiro, ele nunca chegou até a zona sul, onde muitos trabalham hoje em dia. O ideal seria os ônibus apenas complementarem a linha do ônibus e do Metro. Mas essas linhas não cresceram e são ausentes na maior parte da cidade. Então Metro do Rio de Janeiro, é óbvio que o morador do Méier (que não é nem uma bairro tão humildade assim) adoraria facilitar a vida dele usando o seu serviço, mas não tem estação lá.

Continua.

Parte 2 aqui.

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